(em homenagemm a Milton Deobald)
Num rancho já quase tapera,
No começo de uma invernada,
Mangueira velha já abandonada,
Onde não se faz mais fiador;
Ali vive um senhor!
De cabelos brancos na espera,
De chegar mais uma primavera,
Pra sentir o perfume da flor;
Há muito tempo sozinho,
Neste pedaço de chão,
Ainda segue a religião,
Do seu povo primitivo;
Muitas vezes pensativo,
Na hora do chimarrão,
Lembrando das obrigações,
De quando ainda era menino;
As lembranças foram tantas,
E este pobre coração,
Sentindo tanta emoção.
Batendo igual galope de potro,
Já não ouve mais o sopro,
Do minuano sulino;
Que soprava ano a ano,
Pelas frestas do galpão;
Junto ao fogo de chão;
A cambona recostada,
Esquentando as madrugadas,
Mais uma água pro chimarrão;
Junto ao mesmo fogo de chão,
Com uma faca empareiada,
E uma bota bem encerada,
E no cinto um nagão;
Assim vai passando a vida,
O velho tropeiro orgulhoso,
Com a alma já consumida,
Mas ainda com amor a tradição.